Quanto vale a nossa economia?
Para que serve a educação?
Qual a credibilidade da segurança?
Que valor damos à investigação e à ciência?
Até que ponto compreendemos o actual xadrez político-económico, europeu e global?
Em vésperas do arranque do Prós e Contras, o maior debate da televisão portuguesa abre com um fórum especial.
“Pensar o País” em directo da Academia das Ciências com um leque alargado de convidados: Adriano Moreira, José Barata-Moura, Júlio Pedrosa, Manuel Porto, Diogo Freitas do Amaral, Gomes Canotilho, Carlos Monjardino, Loureiro dos Santos, Dias Farinha, Diogo Lucena, Conceição Pequito, entre outros.Opiniões e comentários brotavam da cátedra que a RTP improvisou, na Academia das Ciências. Personalidades de vários "quadrantes" académicos explanavam orgulhasamente as perplexidades e conclusões de vidas de saberes feitas, até que, a "moderadora", na "recta final" do programa/debate, se preparava para dar a palavra ao Prof. Adriano Moreira (sim, sim, o Ministro de Oliveira Salazar, esse mesmo), anfitrião do acto.
Todavia - e continuando a nossa narrativa com os elementos, conhidos pelos nossos ouvidos e que a memória nos permite recordar - é interrompido o Ilustre Prof., mesmo antes de começar.
Fátima Campos Ferreira refere que não há espaço (leia-se tempo) para mais intervenções.
Num primeiro momento, e porque o plano é geral da plateia, não conseguimos perceber quem é o académico, atirando grave projecção de voz (quase aos gritos), pretende ser ouvido "lá em casa" (não percebo o alcance da expressão entre aspas, porque acho o café um óptimo local para se ouvir este tipo de debates, sobretudo num bem barulhento).
Fátima Campos Ferreira esganiça que não há tempo para aquela intervenção.
A câmara, a tal do plano geral da plateia, mostra-nos uma menina que leva o microfone ao alcance do, até ao momento, incógnito orador. (Não percebo o que é que têm contra meninos-que-levam-o-microfone: se as mulheres conseguem, nós também!)
Fátima Campos Ferrira...resigna-se e é ultrapassada pela realização. Nota-se nela uma expressão de vingança, também nela já costumeira, como quem pensa: "espera aí que, sendo que eu também tenho microfone, já vou aqui mandar uma atoarda daquelas...".
Outra câmara faz um plano aproximado...é o Prof. Raul Miguel Rosado Fernandes, professor universitário (não tão reitoral como José Barata-Moura, é certo: menos quatro anos), ainda com as botas enlameadas da última apanha do tomate, seguida de uma também recente monda do arroz, em 1985, no pós reforma agrária.(1)
Fátima Campos Ferreira estava derrotada, mas não resignada.
E dizia, segundo nos permite a memória, nos termos que acima assinalamos:
RF: "(...)Não há investigação na agricultura. Ninguém falou nisso! Eu quero dizer...".
FCF (interrompedo a fala daquele): "Ó Professor, não há agricultura, quanto mais investigação".
RF: "Há é uns tolos que pensam que não há agricultura, mas..."
FCF (no seu estilo educado, interrompendo de novo): "...nos quais eu me incluo".
RF: "Sim, também!"
Estamos conversados. O que se poderia esperar de um programa cujo pós título inclui uma pergunta, oitocentista, sobre a instrumentalidade da educação, dirigido/apresentado/moderado por uma pessoa que não assimilou aquela necessidade?
(1) facto que a câmara não conseguiu mostrar. Falamos das botas enlamedas. Quanto à apanha do tomate e à monda do arroz, o Prof. tem lá uns moços que , mau grado terem ficado sem trabalho no "pós reforma agrária", contratou para a realização dessas "colaborações", pagando-lhe uns belos €1,50...hora.
Nota: parte deste comentário é mera ficção, sendo que da realidade à ficção vai um pequeno bafo...passo! É passo! Da realidade à ficção vai um pequeno...
Pois!
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